Lei para proteger florestas não é exclusividade brasileira

Em meio ao acirramento do debate sobre mudanças no Código Florestal, desta vez no Senado, ambientalistas se mobilizam para derrubar um dos argumentos mais usados pelos ruralistas para justificar as flexibilizações na lei: o de que a proteção de florestas é uma anomalia brasileira e que outros países já não estão empenhados na conservação da cobertura vegetal.

Pesquisadores do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do ProForest, ligado à Universidade de Oxford, selecionaram 11 países para mostrar que a legislação florestal também é exigente em outras nações e que os proprietários de terras com floresta estão sujeitos a regras rígidas de conservação.

“Boa parte dos mantras ruralistas se mostrou completa falácia. Faltava desmistificar a ideia de que o Código Florestal é uma jabuticaba, que só existe no Brasil”, comparou o diretor da Campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adário, em referência a um comentário da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Ela disse que a legislação florestal criteriosa é uma exclusividade brasileira, como a frutinha nativa da Mata Atlântica.

O estudo traz informações sobre o percentual de cobertura florestal na Alemanha, China, nos Estados Unidos, na França, Holanda, Índia, Indonésia, no Japão, na Polônia, no Reino Unido e na Suécia.

Com exceção da Indonésia, onde até o ano passado as florestas públicas eram designadas como áreas de conversão para a agricultura, todos os países da lista registram manutenção ou aumento da cobertura vegetal entre 1950 e 2010, o que significa que houve esforços e investimentos para frear as derrubadas e recompor as áreas desmatadas.

“A perda de floresta é uma exceção. A regra hoje é manter e recuperar a cobertura vegetal”, avaliou o pesquisador sênior do Imazon, Adalberto Veríssimo, um dos coordenadores do estudo.

Na França, por exemplo, as florestas cobriam 21% do território do país em 1950 e em 2010 o percentual alcançou 29%. A conversão de qualquer área de mais de 4 hectares de floresta no país requer permissão do governo e só é concedida por razões ambientais.

Os pesquisadores também apontam casos em que o custo político ou econômico de manter a floresta é muito alto, como no Japão, em que a população vive quase confinada em pequenos territórios, mas não há expansão de cidades sobre áreas florestais. O país tem atualmente 69% de cobertura vegetal, e a lei japonesa não permite conversão da floresta, exceto em circunstâncias excepcionais.

Segundo Veríssimo, a trajetória do desmatamento nos países avaliados segue um padrão: as florestas são derrubadas até um ponto de estabilização da cobertura vegetal e, em seguida, começa um processo de recuperação, à medida que eles se desenvolvem. Para o pesquisador, o atual estágio de cobertura vegetal do Brasil, que tem 56% do território com florestas – nativas ou plantadas – , já pode ser considerado o “fundo do poço”, o ponto que determina a mudança de trajetória rumo à recuperação.

“O Brasil está indo ladeira abaixo. E a atual discussão do Código Florestal caminha no sentido de permitir que o país continue nesse sentido. Se o ritmo for mantido, vamos chegar em 2020 com menos de 50% de florestas”, calculou.

Para os autores do estudo, a flexibilização do Código Florestal, como quer parte do setor agrícola representado pela bancada ruralista, poderá colocar o Brasil na contramão da tendência de retomada das florestas e pôr em risco compromissos internacionais assumidos pelo país, como a redução de emissões de gases de efeito estufa em até 38,9% até 2020. “O Brasil não fechará essa conta se não decidir o que quer fazer com as florestas. E manutenção de floresta é sempre uma opção política”, ponderou Veríssimo.

O declínio na proteção de áreas de Preservação Permanente (APPs) e a redução dos percentuais de reserva legal, como defendem os ruralistas, também acarretariam prejuízos econômicos, segundo Adário, do Greenpeace. “A aprovação de um código permissivo pode prejudicar o Brasil no mercado internacional. O mundo de hoje não é o mundo pré-industrial. As decisões têm implicações globais. A proteção das florestas é também uma proteção de mercado”, comparou.

Estudos mostram que internet sem fio pode prejudicar árvores

O que era uma raridade hoje já virou uma necessidade, é assim que podemos descrever a nova mania de se conectar a internet via aparelho celular. Cada vez mais estamos utilizando este serviço, mas por trás dele se esconde um inimigo da natureza.

Acessar a internet de um aparelho móvel é simples e não exige fio algum. Há duas formas de utilizar a internet pelo celular– a tecnologia 3G que é disponível por uma operadora de celular sujeito a cobrança e o ‘Wi-Fi’ que é a mais utilizada por estar disponível gratuitamente em diversos pontos públicos e particulares.

A tecnologia ‘Wi-Fi’ é a que preocupa o meio ambiente. Segundo estudo realizado na Holanda, pela Universidade de Wagnenigen a radiação emitida pelos sinais de ‘Wi-Fi’ podem estar ligadas aos problemas de crescimento de árvores. Os especialistas chegaram nesta conclusão a partir de diversas fissuras e sangramento nas cascas.

Já são diversos raios emitidos no meio ambiente: o sinal do celular, da televisão, o sinal do GPS, até mesmo o controle remoto. Todas essas radiações emitidas, mesmo que de forma mínima, afeta a natureza, e com a utilização cada vez mais frequente dessa tecnologia, a tendência é que os impactos aumentem.

As árvores são essenciais para a sobrevivência do ser humano, ainda mais atualmente, que o Planeta sofre com o aquecimento global. As árvores são as responsáveis por ‘limpar’ o ar que respiramos. Elas absorvem o carbono e liberam ar puro para a humanidade. Caso haja um desequilíbrio nelas, haverá em nós também.

Por mais que torcemos que a tecnologia, principalmente a internet, que é uma ferramenta de comunicação, pesquisa e entretenimento, cresça e chegue a todos, precisamos ter a consciência de como fazer isso.

Não existe a necessidade de ter o sinal ‘Wi-Fi’ em todos os pontos da cidade. Para ser mais econômico para o governo e menos impactante para o meio ambiente. O sinal pode ser espalhado pelos pontos mais frequentados e lugares como cafés, shoppings e prédios comerciais.

Governo do Amazonas discute sobre uso de mercúrio

O Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado do Amazonas se reuniu na terça-feira (14/08) para definir a resolução criada pelo próprio conselho que regulamenta o uso de mercúrio nos garimpos. A reunião, que começou às 14 horas, decidiu criar dois grupos, um técnico, que se reunirá hoje, quinta-feira, e outro jurídico, cujo encontro está marcado para a próxima terça-feira. Desses dois encontros sairá como será aplicada a polêmica resolução 011/2012, e se irá proibir, ou não, o uso de mercúrio nos garimpos.

A resolução 011/2012, foi aprovada em junho pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (CEMAAM), e estabelece procedimentos a serem observados no licenciamento ambiental para a atividade de lavra garimpeira de ouro no Estado do Amazonas, e libera o uso de mercúrio nos garimpos.

O uso do metal, altamente poluidor e tóxico, gerou protestos de ambientalistas, carta aberta de pesquisador do Museu da Amazônia, petição online pedindo a revogação da resolução e até mesmo inquérito civil público (ICP) aberto pelo Ministério Público do Amazonas para apurar a legalidade da resolução.

Após tanta controvérsia, o Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado do Amazonas chamou os interessados no assunto: associação de garimpeiros, Ibama, MPF, secretaria de mineração e recursos hídricos, Departamento Nacional de Produção Mineral, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, entre outros, para uma reunião em que se definiriam o futuro da resolução. A decisão sai na próxima terça-feira, dia 21 de agosto.